Nos anos 40 e 50, José Formosinho, Abel Viana e Veiga Ferreira deram a conhecer um conjunto de necrópoles pré-históricas localizadas em torno das Caldas de Monchique. As necrópoles, cuja interpretação ainda continua a ser problemática, distribuem-se por um conjunto de núcleos de cronologia claramente diversificada, que parece abarcar desde o 4º ao 2º milénio a .C., sendo alguns deles, portanto, contemporâneos dos monumentos de Alcalar.
No essencial, segundo o pré-historiador Victor Gonçalves, as necrópoles das Caldas de Monchique «são constituídas por sepulturas cistóides rectangulares ou grosseiramente trapezoidais, cada uma delas incluindo diversos componentes, definindo os lados do retângulo. 1, 2, 3 ou mesmo 4 lajes verticais formam cada um dos lados maiores do rectângulo. Em certos casos, ao contrário das antas, não há efectivamente uma ‘pedra de cabeceira’, não se diferenciando pelo tratamento as pedras que constituem os dois extremos do monumento. [...] As estruturas tumulares aproximam-se, em termos de construção, da estrutura dos cairn ainda que a proporção entre a componente pétrea e a terra calcada nunca tenha sido estudada».
Estas estruturas pétreas tanto podem aparecer isoladas como, nalguns casos, partilhar a mesma mamoa. Na generalidade, trata-se de antelas de pequeno tamanho, raramente alcançando as dimensões verificadas em Buço Preto 6, que atinge 3 m de comprimento, e Buço Preto 7, com quase 4 m. Ou em Palmeira 4, com cerca de 5 m, e Palmeira 7, com pouco menos de 4 m.
Dentro destas sepulturas encontraram-se espólios extremamente variados, quer na quantidade, quer na tipologia. De entre os artefactos de pedra lascada chama a atenção a frequência dos geométricos – que suportaram tradicionalmente a atribuição de cronologias altas a estes monumentos. Mas existe uma vasta presença de lâminas e de pontas de seta, de instrumentos de pedra polida, contas de colar e de vasos de cerâmica. Embora raras, estão também presentes as placas de xisto gravadas e os instrumentos metálicos: entre estes, um machado de cobre que curiosamente conservou o tecido que originalmente o envolvia.
As comunidades que durante o 4º e o 3º milénio a .C. construíram os monumentos das Caldas de Monchique oferecem um notável contraponto à comunidade sepultada no conjunto monumental de Alcalar. Essas diferenças no registo arqueológico foram tradicionalmente interpretadas pelo historicismo cultural como cronologicamente distintas, ou atribuíveis a «círculos culturais» diferenciados. Porém, aqueles que tumulavam nas necrópoles «dolménicas» de Monchique e para quem – no peculiar ambiente da Serra, em particular nos barrancos junto das Caldas – uma agricultura de subsistência se interligava com a caça e a pastorícia, mantinham seguramente relações de alguma proximidade com o centro hegemónico de Alcalar. Com este, naturalmente, estabeleciam intercâmbio de produtos, quando não de força de trabalho. No seu aparente atraso, constituíam, antes, uma bolsa com forte personalidade cultural, resistente às mudanças a que os grupos do litoral e dos portos fluviais mostravam maior abertura.