O Algarve tem para oferecer muito mais que sol e praia. Da riqueza da história e tradições à genuinidade dos produtos tradicionais e à beleza da paisagem, o Barrocal oferece inúmeros recantos para descobrir e desfrutar. A Câmara Municipal de Portimão editou um Guia de Natureza, que inclui uma sugestão de percurso que é um ponto de partida para descobrir algumas das mais belas e típicas zonas do Barlavento localizadas a meio caminho entre a barra de Alvor e a Serra de Monchique.

O Percurso Viagem Interior (23 km, bicicleta ou veículo motorizado) pode iniciar-se no Centro de Acolhimento e Interpretação de Alcalar e permite disfrutar de uma perspectiva invulgar do Concelho de Portimão, através de uma paisagem rural diversificada, na área que assenta sobre solos calcários e que constitui o chamado Barrocal. A cotas mais altas e em terrenos mais pedregosos, difíceis para a agricultura, subsistem ainda vastas manchas de matagal mediterrânico. Por entre esse mato de carrascos, aroeiras, zimbros, medronheiros, zambujos e palmeiras-anãs (que aqui teimam em resistir), um trabalho de despedrega efectuado ao longo de muitas gerações permitiu a mobilização do solo entre as árvores e serviu para separar as courelas com muros de pedra insossa, que protegiam as culturas do pisoteio do gado e atenuavam os efeitos erosivos das chuvas torrenciais, humanizando um coberto vegetal de sabor acentuadamente mediterrânico.

A paisagem salpica-se de características casas rurais, muitas delas hoje abandonadas. As que escaparam à demolição e que não foram substituídas por vivendas incaracterísticas, estão construídas em materiais locais: alvenaria de pedra e cal, paredes de taipa. A área coberta possui um corpo principal que serve de habitação, à qual se anexa o arrumo para as alfaias e colheitas e a cabana, estábulo para o burro e o pequeno rebanho, e que, num meio-sótão, inclui o palheiro. Na área exterior distribuem-se o forno, a pocilga e a pequena eira, frequentemente usada também como almeixar para a secagem do figo. Próxima, fica a pequena horta, sombreada por figueiras e regada com a água do poço. Apesar das transformações que a agricultura tradicional sofreu em anos mais recentes, nesta paisagem cultural ainda se evidenciam restos, quase sempre abandonados, de pomares de sequeiro, pontuados de alfarrobeiras, amendoeiras e figueiras, e um ou outro olival, que entremeiam clareiras de pasto onde, na Primavera, despontam os lírios e as orquídeas selvagens.