O Algarve tem para oferecer muito mais que sol e praia. Para norte de Alcalar, os solos xistosos apresentam um coberto vegetal onde predominam os estevais – resultado do abandono de uma agricultura de sequeiro sobre solos pouco apropriados – mas onde se conservam algumas associações características do coberto primitivo, com sobreirais, azinheiras e mato mediterrânico com esteva mas dominado ora pelo carrasco, ora pelo medronheiro. Ainda mais ao norte, e já nos contrafortes da Serra de Monchique, que delimita o território de Alvor-Monchique, os fogos florestais e os incentivos a arborizações de crescimento rápido conduziram, em anos mais recentes, à ocupação dos solos silvícolas com inapropriadas monoculturas de pinheiro-bravo e de eucalipto.

A serra oferece inúmeros recantos para descobrir e desfrutar da paisagem, da gastronomia e do património cultural. As associações de Desenvolvimento Local editaram um roteiro no âmbito do projecto «À Descoberta do Algarve Rural», que inclui uma sugestão de percurso e que é um ponto de partida para descobrir a montanha. O Percurso Pela Serra de Monchique (30 km, veículo motorizado) toma-se no Centro de Interpretação de Alcalar, e de aí, através da EN 267, a partir dos Casais (ou pela EN 266 desde Porto de Lagos). É um percurso de montanha, que se inicia nas Caldas de Monchique, com o seu complexo termal de águas com propriedades curativas e em cujos arredores existem numerosos vestígios pré-históricos e romanos. Encostada aos relevos alentejanos, a Serra de Monchique é um maciço de origem vulcânica, constituído por sienitos, coroado pelas cumeadas mais altas de todo o Sul de Portugal: a Foia (902 m) e a Picota (744 m). Constitui um «reduto meridional da flora atlântica, embora com elevada expressão da flora mediterrânica» (Pena & Cabral). Sob a influência oceânica do atlântico e por efeito da altitude, Monchique é a zona mais pluviosa de todo o Algarve. Sendo a Serra abundante de águas, o coberto vegetal está porém fortemente degradado por acção do homem. Os sobreirais têm vindo a ser rapidamente substituídos pelos eucaliptais. Os soutos, que, nas encostas mais húmidas, ocupavam outrora apreciáveis extensões, e os carvalhais de sombrios bosques, são uma quase raridade. A outrora intensa actividade agrícola de subsistência quase desapareceu. Apesar de tudo, a Serra é ainda um maravilhoso paraíso botânico.