Entre o 6º e o 4º milénio a.C., durante o período climático designado por «Atlântico», mais quente e húmido do que nas épocas precedentes, as boas condições ambientais da época proporcionaram um acentuado crescimento populacional. No final do 4º milénio a.C. deu-se uma alteração para um clima mais frio e seco, chamado «Sub-Boreal», e na transição para o 3º milénio a.C. a economia baseada na exploração da terra intensificou-se com o aumento da produção de cereais e com a pecuária, em especial de gado vacum e de rebanhos de ovelhas e cabras, valorizando os produtos secundários (leite, lã, couro, ossos e chifres, força de tracção dos animais...). As economias regionais consolidaram-se com a exploração mineira e a produção metalúrgica de cobre arsenicado, acentuando as desigualdades sociais e dando origem à política formalmente organizada, em que o poder se baseava no controlo territorial das forças produtivas, requerendo, assim, uma crescente centralização.
Em simultâneo com uma produção especializada, surgiu uma divisão técnica do trabalho que permitiu não só a fixação das populações em pequenos povoados mas também a consolidação de centros de poder, em aldeias que, durante o 3º milénio a.C., alcançaram grandes dimensões. A necessidade de uma maior eficácia na exploração dos territórios implicou uma gestão dirigida e controlada a partir desses estabelecimentos centrais e levou ao aparecimento de personagens notáveis, constituindo uma elite que geria as comunidades e os territórios dependentes. Como resultado deste processo, os notáveis ganharam cada vez mais poder. Embora mantendo os vínculos de parentesco com as comunidades, a posição social passou a ser transmitida por herança.
As grandes aldeias funcionaram então não só como grandes armazéns de uma produção organizada, mas também como centros de distribuição de produtos muito variados, que eram obtidos por tributação desde os povoados produtores. Este sistema permitiu a toda a comunidade aceder ao consumo de produtos diferentes dos que eram produzidos por cada um dos seus elementos e significou um inegável progresso na economia e no bem estar de todos.
As funções desempenhadas pelos notáveis, nomeadamente a gestão do território e dos recursos, o controlo da produção para uma distribuição intercomunitária e para uma rede de trocas suprarregionais, foram exercidas sem recurso à violência, uma vez que as elites apareciam perante todos como garantes da estabilidade comunitária, como intermediárias entre os homens e as divindades, ou assegurando a continuidade dos cultivos e o sustento das comunidades. O poder foi exercido com meios de coerção ideológica e política, que tinham a aparência de ser aplicadas pelo bem de toda a comunidade, razão pela qual os mais notáveis viram o seu poder reforçado e o aparelho de estado se viu consolidado na sua forma prístina.
É neste contexto histórico do 3º milénio a.C. que se renova a simbólica dos «produtos ideológicos» (imagens solares, representações da «deusa-mãe»), que se hierarquiza o uso dos artefactos e que a arquitectura adopta soluções monumentais, com uma acentuada carga ostentatória do poder, traduzida quer na implantação de habitats em locais elevados, quer nos recintos que encerram e compartimentam os povoados (frequentemente providos de torres e bastiões em alvenaria de pedra). Seguindo uma já então longa tradição do Megalitismo oeste-europeu, divulga-se a construção de templos funerários com planta centralizada, que apresentam agora criptas em alvenaria com tecto de falsa cúpula.